domingo, 2 de outubro de 2011

"Olhe o nó" - Deu no Blog do Diogenes.

Lágrimas de crocodilo no retorno de Geraldo Melo ao PMDB


 

Eu estou cada vez mais convencido que partido não vale nada mesmo. Na rotina da política brasileira o que vale é o projeto individual e a proximidade que esta ou aquela legenda tem do governo de plantão.

Partido forte é o PG - partido do governo. Mesmo assim há político que mantém o discurso de oposição sabendo que o oxigênio do governo, ainda mais federal, é vital para a sobrevivência da espécie Homo Politiquens.

Eu fiquei impressionado com as declarações do ex-governador e ex-senador Geraldo Melo ao assinar a ficha de filiação ao PMDB, partido onde iniciou sua vitoriosa carreira política:

"Não fui submetido a nenhuma lavagem cerebral para me filiar ao PMDB. O meu compromisso é com o partido no Rio Grande do Norte. Não tenho compromisso com o governo federal, porque isso não foi exigido de mim. O partido sabe do meu posicionamento", declarou.

Sabemos que Geraldo Melo foi tucano de alta plumagem nos tempos de FHC. É amigo do José Serra, do Tasso Jereissati, do Aécio Neves e de outros políticos do PSDB.

Sabemos que Geraldo sempre criticou o governo do PT, o Lula, o José Dirceu e a Dilma.

A gente só não sabe o que Geraldo Melo foi fazer no PMDB, partido comprometido até o pescoço com o governo da presidenta Dilma Rousseff.

Dá para ignorar um detalhe desse tamanho?

O PMDB é governo em Brasília, é governo no âmbito estadual e na maioria dos municípios.

Dá para ser governo aqui e não acolá?

Em tempo de eleições, subir neste palanque e deixar de subir noutro?

Para Geraldo Melo deve dar, sim.

Geraldo Melo volta ao PMDB que em 2006 lhe negou o apoio para o Senado ou para o cargo de vice-governador. Naquela ocasião, Garibaldi Filho havia fechado aliança com José Agripino Maia entregando alguns dos anéis ao então pefelê, hoje Democratas.

O acordo beneficiou Rosalba Ciarlini que assumiu vaga no Senado e pavimentou sua estrada para o governo.

O gesto de pura traição política praticamente dizimou as chances de Geraldo Melo para disputa de cargos majoritários.

Sem mandato, Geraldo Melo foi abandonado por correligionários, perdeu o comando do PSDB, perdeu a prefeitura de Ceará-Mirim e perambulou pelo PPS.

Geraldo Melo dá uma demonstração de que não guarda mágoas dos aliados históricos Henrique Eduardo e Garibaldi Filho. Se guarda alguma mágoa, não demonstra por puro pragmatismo político.

Geraldo mira em Ceará-Mirim onde pretende eleger novamente a esposa, Dona Edinólia, ex-prefeita do município.

Ao saber que Henrique Eduardo Alves derramou lágrimas e pediu desculpas a Geraldo Melo pelo erro cometido em 2006, eu comentei com os meus botões:

- São lágrimas de crocodilo. Henrique Eduardo afirmou esta semana que o PMDB estava certo quando firmou aliança com o grupo da governadora Rosalba Ciarlini em 2006, justamente no ano em que Geraldo Melo, o tucano, foi escanteado.

Dá para acreditar na sinceridade de um choro desse?

Nota final: Garibaldi Filho não marcou presença no ato de filiação de Geraldo Melo. Sem essa de agenda em Brasília ou coisa que o valha. Quando o ministro quer comparecer a algum evento seja batizado, casamento ou um simples enterro, Garibaldi move mundos e fundos para estar presente. Deve ter evitado alguma palavra constrangedora no calor da emoção de quem volta para o aconchego no PMDB.

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